Mesada: como usá-la para a educação dos filhos

A mesada é uma das ferramentas mais eficientes para educar os filhos financeiramente. Além de ser útil para que os pais não precisem dar pequenas quantias a toda hora, pode e deve ser usada para ensinar as crianças a lidar com o dinheiro.

Com a mesada, os filhos poderão aprender conceitos importantes como poupar e não gastar com coisas supérfluas para poder comprar algo que custa mais que a quantia recebida, comparar preços para gastar menos e priorizar o que é mais importante.

Para que as “aulas” de educação financeira tenham efeito, é importante que os pais sigam alguns passos e ajudem os filhos. Por isso, preparamos uma lista com dicas para que você consiga educar seu filho desde cedo a lidar com o dinheiro de forma inteligente. Confira!

Defina a razão de dar mesada

Os especialistas em finanças nunca recomendam associar a mesada a boas notas ou tarefas domésticas. Também não acreditam que dar mesada de maneira despropositada tenha bons resultados. O interessante é explicar aos filhos que eles vão receber aquela quantia para que possam ter alguns gastos com mais liberdade e, ainda, para aprenderem a administrar o dinheiro que ganham.

Para a criança, por exemplo, a mesada nunca deve ser usada para comprar o lanche na escola, pois ela pode deixar de comer para guardar o dinheiro e, assim, ter problemas de saúde por não se alimentar adequadamente. Roupas, atividades como aulas de natação, futebol ou inglês também não devem ser adquiridas por meio da mesada, pois o valor é muito alto. Brinquedos e doces são boas metas para as crianças. Já os adolescentes podem, sim, comprar roupas ou sapatos com o que recebem.

Estabeleça valores adequados a cada idade

Embora não exista uma idade certa para começar a dar a mesada, é recomendável que isso aconteça a partir dos 7 anos, uma vez que, nessa fase, a criança já está em processo de alfabetização e aprendendo a fazer contas.

Para estipular o valor da mesada, os pais devem ter bom senso. Levar em consideração a média das mesadas dos colegas dos filhos pode ser uma boa opção. Nos Estados Unidos, é seguida a conta de um dólar por ano de vida, por semana, mas aqui no Brasil não há uma regra. Até porque, os custos de vida são muito variados em cada região do país. Além disso, é necessário levar em consideração o poder aquisitivo da família e a quantidade de filhos.

Determine uma frequência para dar a mesada

A maior lição que os pais podem ensinar aos filhos em função da frequência da mesada é sobre a administração do dinheiro. Eles vão receber uma determinada quantia e terão que dividi-la pelos dias seguintes até receber a mesada novamente.

Por isso, para crianças com idade entre 6 e 8 anos, uma frequência muito longa como a mensal pode não surtir o efeito esperado, pois os pequenos podem ser incapazes de lidar com um intervalo tão longo.

Nesses casos, o recomendado é dar a mesada semanalmente, conhecida como semanada, para que a criança possa aprender a gastar o dinheiro em frações. Se ela gastar tudo em um único dia, na semana seguinte certamente se lembrará do erro anterior e terá mais condições de administrar o dinheiro.

Entre 8 e 10 anos, as crianças podem receber a quinzenada, com o intervalo de uma quinzena entre as mesadas, como o próprio nome indica.

A partir dos 11 anos, a frequência já pode ser mensal e, para ficar mais fácil, os pais podem estipular como dia para pagar a mesada o próprio dia em que recebem o salário.

Acompanhe os gastos dos filhos

Embora a proposta da mesada seja permitir que os filhos tenham alguns gastos com liberdade, é importante acompanhar como e com o que eles estão gastando o dinheiro. Vale, ainda, incentivá-los a comprar algo mais caro e, para isso, orientá-los a guardar uma parte da mesada.

Além disso, os pais devem ficar atentos se a quantia está adequada e, em caso negativo, fazer um reajuste — para mais ou para menos. A mesada é uma ferramenta pedagógica e, para que tenha efeito, é importante que os pais a levem a sério.

Não associe mesada a notas boas ou afazeres domésticos

Condicionar a mesada a ir bem na escola pode gerar uma situação de estresse para a criança. Se seu filho está com notas ruins, provavelmente ele está passando por algum problema e você precisa investigar isso. Cortar a mesada só vai deixá-lo mais frustrado e mais propenso a ter resultados ainda piores na escola.

Outro erro que os pais podem cometer é “pagar” pelos afazeres domésticos. Guardar os brinquedos ou arrumar o quarto são obrigações dos filhos, que eles devem realizar independentemente de ganharem ou não a mesada.

Incentive seu filho a poupar

Uma das maiores lições que os filhos podem aprender com a mesada é poupar. Mas é importante que os pais auxiliem na hora de estipular uma meta, para que eles não desanimem. Juntar dinheiro para comprar algo que vai levar anos, por exemplo, não faz nenhum sentido. Já comprar um jogo ou um brinquedo e poupar durante alguns meses é uma ótima lição.

Esclareça possíveis dúvidas

Além das dicas acima, queremos, ainda, esclarecer algumas dúvidas que podem aparecer ao decidir dar mesada.

Pais que têm mais de um filho podem se deparar com a seguinte situação: um quer a mesada e o outro não. Como proceder nesse caso pode ser um desafio. Em primeiro lugar, é importante respeitar a escolha de cada filho, tendo sempre o cuidado de não privilegiar o que não recebe mesada, dando tudo que ele quer a todo momento. Quando seu filho que não recebe mesada pedir alguma coisa, lembre-se de quanto o outro ganha, em quanto tempo conseguiria aquilo que o irmão está pedindo, e então estabeleça os limites.

Outra dúvida bem comum é quanto ao que pagar e o que deixar por conta da mesada. Para crianças, brinquedos e guloseimas podem entrar na contagem da mesada, assim como o cinema e o passeio com os amigos dos adolescentes. As saídas com os pais ficam por conta destes.

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